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Varejo alimentar em 2026 pode ter crescimento desacelerado e exigir leitura mais precisa do consumidor

POR Barbara Fernandes

EM 02/01/2026

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Foto: Adobe Stock

 

O início de 2026 deve ser marcado por um avanço mais contido para o varejo alimentar, ao mesmo tempo em que a inflação volta a pressionar o orçamento das famílias. De acordo com a projeção do IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo), as vendas do segmento que reúne hipermercados e supermercados devem crescer 2,3% em janeiro de 2026. O resultado é positivo, mas representa desaceleração frente ao avanço de 5,3% registrado em janeiro de 2025.

 

Para fevereiro, a expectativa é de alta de 1,7%, superior ao crescimento de 0,7% observado no mesmo mês do ano passado, mas ainda dentro de um cenário de expansão mais moderada. No caso dos atacados e atacarejos, a projeção é de crescimento de 3,5% tanto em janeiro quanto em fevereiro, também abaixo dos percentuais de 2025, quando o setor avançou 3,9% e 3,7%, respectivamente.

 

Porém é importante se atentar que os dados levantados pelo IAV-IDV não representam todo o varejo alimentar, já que consideram apenas Carrefour, GPA, Cencosud, Assaí e Roldão. Essa limitação é relevante em um contexto em que o desempenho das redes regionais tem sido superior ao das companhias de alcance nacional.

 

Segundo o relatório Varejo Alimentar em Contexto, nos primeiros nove meses de 2025 as redes regionais cresceram quase o dobro do GPA e, em mesmas lojas, tanto supermercados quanto atacarejos regionais superaram empresas de capital aberto como Grupo Mateus, Assaí e o próprio GPA. O dado reforça que, para 2026, a leitura do mercado exige olhar além dos grandes grupos e considerar dinâmicas locais.

 

No campo macroeconômico, a pressão sobre o consumo tende a aumentar. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projeta alta de 4,2% nos preços dos alimentos para consumo no domicílio em 2026, sendo que a principal fonte de pressão vem das carnes. Com a elevação dos preços dessa categoria, a expectativa é de migração de demanda para outras proteínas, o que deve gerar efeitos em cadeia sobre seus preços.

 

Esse cenário econômico mais apertado se soma a uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Em 2026, o crescimento do varejo depende menos de escala e mais da capacidade de ler contextos, agir com rapidez e manter relevância. O planejamento se torna contínuo, o consumidor mais volátil entre formatos e menos fiel por hábito, alternando entre preço, conveniência e experiência, com decisões mais racionais e orientadas pela necessidade.

 

Segundo o Sebrae, algumas das tendências para o setor em 2026 reforçam essa mudança de lógica. Por exemplo, a conveniência aparece como eixo central, com expectativa de experiências cada vez mais fluidas entre canais físicos e digitais. Além disso, programas de fidelização estão evoluindo, não basta mais oferecer somente um acúmulo de pontos; e o PDV precisa ser simplificado para ajudar a jornada de compra. Na prática, isso se traduz em:

 

  • Integração entre canais, com informações de estoque disponíveis em diferentes canais, além de retirada em loja no mesmo dia e processos de troca simplificados


  • Modelos de fidelização mais diretos, com benefícios práticos, campanhas de engajamento simples e formatos de membership com vantagens claras


  • Foco na experiência sensorial e emocional, com lojas organizadas para facilitar a jornada, comunicação empática e ambientes pensados para reduzir fricções e cansaço do consumidor
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TAGS:Pesquisa,2026,Varejo alimentar
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