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16/01/2026
Dezembro ainda é o melhor mês para o varejo alimentar?
POR Barbara Fernandes
EM 16/01/2026

Foto: Adobe Stock
Dezembro de 2025 trouxe um sinal de alerta para o varejo alimentar, sendo o único mês do ano com queda simultânea em volume e faturamento. O dado foi levantado pelo Radar Scanntech e contrasta com o imaginário histórico desse ser o período mais forte do calendário, mas ajuda a explicar mudanças estruturais no consumo.
Em termos de volume, o desempenho foi o pior do ano. As unidades comercializadas recuaram 5,5%, movimento puxado principalmente pela redução do fluxo em loja, que caiu 4,1%.
Já o faturamento foi impactado pelo repasse de preços, que atingiu o menor patamar, com alta de apenas 3,2%. Assim, o setor perdeu a principal alavanca que vinha sustentando o crescimento ao longo do ano. O resultado foi uma retração de 2,5% no faturamento. Em outras palavras, a combinação de menos fluxo, menos unidades e menor reajuste de preços expôs um consumo ainda fragilizado.
A análise por cestas reforça esse diagnóstico. Enquanto Mercearia e Bebidas Alcoólicas responderam por 55% da retração em unidades, a queda em valor ficou fortemente concentrada em itens essenciais:
- Mercearia Básica e Perecíveis concentraram 92% da retração do faturamento
- A cesta básica teve queda de 6,4% nos preços, o que resultou em um tombo de 13,5% no faturamento
Mesmo assim, o Natal manteve sua relevância. O período entre 23 e 25 de dezembro foi o único intervalo do mês com crescimento de faturamento na comparação anual. O dia 25, apesar do baixo volume absoluto, comercializou 60% mais unidades do que na mesma data de 2024, indicando que a retração de dezembro não está ligada às datas comemorativas em si, mas à tendência negativa acumulada ao longo do ano.
Outros indicadores reforçam o cenário. Segundo o Índice de Varejo Stone (IVS), o segmento de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo registrou queda de 3,2% no volume de vendas em dezembro. Além disso, fatores externos ajudam a explicar o enfraquecimento do mês: a antecipação de compras para a Black Friday em novembro, os juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias.
Ainda assim, dezembro não perde seu protagonismo. Apesar da evolução abaixo do esperado, o mês segue como o mais significativo para o varejo alimentar, impulsionado pelas férias e confraternizações. Os dados de 2025 mostram menos um fim de dezembro e mais um ajuste de expectativas: o mês continua forte, mas já não é imune a um consumidor mais cauteloso, seletivo e pressionado pelo contexto econômico.
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Barbara Fernandes
Repórter








