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19/01/2026
Apesar da Copa do Mundo e mudanças no IRPF, crescimento do setor enfrenta desafios em 2026
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 19/01/2026

Foto: Adobe Stock
Após um ano de estabilidade, o consumo no varejo de alimentos tende a manter um ritmo moderado em 2026, mesmo diante de fatores tradicionalmente associados a estímulos de demanda, como a Copa do Mundo e a ampliação da isenção do IRPF para rendas de até R$ 5.000.
A avaliação consta em levantamento da Worldpanel by Numerator, que aponta um cenário marcado por juros elevados, inflação pressionando o orçamento familiar e mudanças no comportamento do consumidor.
A análise indica que, apesar de uma expectativa de maior disponibilidade de renda, o consumidor segue realocando gastos, direcionando recursos para novas prioridades, como apostas esportivas e medicamentos para controle de peso. O entendimento é de que eventuais aumentos de renda não se convertem automaticamente em maior consumo de alimentos, diante da necessidade de compensações no orçamento.
Ao longo de 2025, os consumidores passaram a visitar os supermercados com mais frequência, mas reduziram o número de itens por compra e o valor gasto em cada visita. A estratégia tem sido fracionar as compras ao longo do mês como forma de adequação financeira, mesmo com a inclusão de produtos de diferentes categorias no carrinho.
Para 2026, eventos como a Copa do Mundo tendem a impulsionar categorias específicas, como bebidas, carnes e petiscos. Além disso, a isenção do Imposto de Renda pode liberar cerca de R$ 30 bilhões para o consumo, mas o impacto efetivo no varejo alimentar dependerá de fatores como a trajetória dos juros e da inflação.
Projeções econômicas indicam que a inflação de alimentos no domicílio deve acelerar em 2026, alcançando patamar superior ao observado em 2025. A volatilidade cambial associada ao calendário eleitoral também é apontada como um fator de risco adicional para o setor.
Mudanças na cesta do shopper
Outro vetor relevante é a disseminação do uso de medicamentos à base de semaglutida. Estudos indicam que domicílios que passaram a utilizar esse tipo de tratamento registraram redução significativa no consumo de alimentos e bebidas, com impacto direto sobre categorias de industrializados e bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo em que cresce a demanda por produtos proteicos e alimentos frescos.
A expectativa é de que a perda de exclusividade da patente da semaglutida, prevista para março no Brasil, amplie o acesso a esses medicamentos e acelere a transformação do mercado. Relatórios de instituições financeiras projetam crescimento expressivo desse segmento nos próximos anos, com reflexos indiretos sobre o varejo alimentar.
Paralelamente, o avanço das apostas esportivas também tem pressionado o orçamento das famílias. Levantamentos apontam que o aumento dos gastos com bets contribui para a elevação da inadimplência e reduz recursos disponíveis para o consumo de alimentos, especialmente entre as classes de menor renda.
Para o setor supermercadista, a avaliação predominante é de que os impactos não resultarão necessariamente em queda estrutural de vendas, mas exigirão ajustes no sortimento e na estratégia comercial. A adaptação do mix de produtos e a resposta às novas preferências do consumidor são vistas como centrais para atravessar o cenário de 2026.
Fonte: Infomoney
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