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17/01/2026
Maior varejo alimentar do Brasil inicia a unificação do sistema comercial de suas bandeiras mais fortes
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 03/12/2025

Foto: Divulgação
O Carrefour iniciou em Alphaville (Barueri, SP) um projeto-piloto para substituir seu sistema comercial pelo utilizado no Atacadão. A mudança, que envolve a plataforma responsável pela gestão de itens e processos de venda, está prevista para alcançar todas as lojas do Grupo.
Paralelamente, avança o fechamento da sede do Carrefour Brasil em Barueri e a transferência das equipes para estruturas do Atacadão na capital paulista. O imóvel passará a integrar o portfólio de ativos destinados à venda ou locação.
Os funcionários foram informados há cerca de um mês, e a migração está prevista para o 2º semestre de 2026. As áreas comercial, logística e operacional devem ser alocadas na unidade do Atacadão na Vila Maria, na zona norte. Já o back-office será transferido para o escritório do Tatuapé. O movimento marca a integração das estruturas das duas marcas quase 20 anos após a compra do Atacadão pelo Carrefour.
Segundo apuração, a reorganização não se limita ao corte de despesas, mas deve gerar redução de equipes por sobreposições, efeito considerado nas estimativas de eficiência.
A troca de sistemas e a centralização operacional estão alinhadas às diretrizes do novo CEO do Grupo Carrefour Brasil, Pablo Lorenzo, que busca simplificar processos e padronizar modelos comerciais.
Integrantes do conselho descrevem que o comando atual pretende reforçar uma gestão centrada em rentabilidade e escala. Outras fontes afirmam que a administração francesa orientou a colocar o Atacadão como núcleo da estratégia no país.
Em entrevista, Lorenzo afirmou que os três formatos operados pelo Grupo — varejo, atacarejo e clube de compras — dificultam ganhos de produtividade quando geridos de forma totalmente separada. Ele defendeu a unificação do back-office e a redução de sistemas paralelos, citando a necessidade de operar com custos mais baixos. O executivo também mencionou que, sem sistemas integrados, não é possível remanejar mercadorias entre lojas de diferentes formatos para mitigar rupturas, e que a empresa trabalha para viabilizar essa operação. Prazos não foram informados.
Em relação ao impacto no resultado, Lorenzo apontou que os efeitos das simplificações podem aparecer ao longo de 2026 e 2027.
Entre janeiro e setembro, a margem operacional do Grupo Carrefour foi 3,92%. No período, o Atacadão registrou aumento de 8,5% nas despesas operacionais, frente a uma alta de 5,8% nas vendas. Os hiper e supermercados tiveram queda de 3,7% na receita e retração de 2,7% nos custos.
A integração dos sistemas comerciais levanta dúvidas no setor sobre eventuais perdas de sortimento nas lojas Carrefour. Um ex-executivo afirma que o software do Atacadão não comportaria a complexidade de áreas como padaria e confeitaria, o que poderia pressionar a oferta de itens mais específicos. A avaliação é que parte desse público poderia migrar para redes premium. O CEO defende que os formatos estão se aproximando, citando que hipermercados passaram a trabalhar com preços de atacado e que atacarejos aumentaram a oferta de serviços nos últimos anos. Ele afirmou que a diferença de preços entre os canais caiu para cerca de 5% a 7%, e que em promoções pode desaparecer. O executivo declarou não ver risco de o Atacadão substituir o Carrefour, alegando que os formatos são complementares. Também afirmou que o hipermercado precisará de adaptações para manter relevância.
Até setembro, as vendas líquidas do Grupo somaram R$ 82,5 bilhões, alta de 3,5%, abaixo da inflação medida pelo IPCA. Em euros, e considerando lojas maduras, houve queda de 7%.
Para 2025, o grupo espera investir cerca de R$ 1,5 bilhão, abaixo dos R$ 2,1 bilhões de 2024. A abertura de lojas ficará novamente concentrada no Atacadão, com previsão de 10 a 15 unidades em 2026. Hiper e supermercados seguem fora das prioridades.
Segundo o executivo, os ajustes nos formatos respondem às restrições enfrentadas pelos consumidores, especialmente na segunda metade do mês, com maior sensibilidade a preço. Diante disso, o grupo intensificou a oferta de itens regionais e preços mais competitivos.
Marca Própria
Lorenzo adiantou também o lançamento, ainda neste mês, da marca própria do Atacadão, destinada a pessoas físicas e jurídicas. Na primeira etapa, entre 80 e 150 itens devem chegar às lojas, em categorias de alta demanda no atacarejo. A companhia não comentou números identificados pelo mercado.
O Assaí, um dos grandes concorrentes da o atacarejo, também anunciou sua entrada nesse segmento em 2026. A rede planeja operar marcas distintas para vendas a empresas e uma única marca para consumidores. A expectativa é que a categoria leve de dois a três anos para ganhar participação relevante na receita.
Fonte: Valor Econômico
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